terça-feira, 14 de agosto de 2018

RETROCESSO

Temer corta verba de combate ao trabalho escravo: 369 mil são afetados

"Sem fiscalização o mundo do trabalho volta à barbárie. Instaura-se um círculo de precariedade, de pobreza", diz carta.
por Lu Sudré, do Brasil de Fato publicado 06/08/2018 09h03, última modificação 06/08/2018 12h18
SÉRGIO CARVALHO MTE/REPRODUÇÃO
Trabalho escravo no Brasil
40,3 milhões de pessoas ao redor do mundo foram submetidas a trabalhos em situações análogas à escravidão em 2016
Brasil de Fato – A escravidão moderna atingiu 369 mil trabalhadores no Brasil em 2016. O número é ainda mais estarrecedor em uma perspectiva global: 40,3 milhões de pessoas ao redor do mundo foram submetidas a trabalhos em situações análogas à escravidão no mesmo ano, sendo que apenas o continente asiático concentra 62% desse número. 
Os dados são do relatório Índice Global de Escravidão 2018, organizado pela fundação Walk Free e apresentado na Organização das Nações Unidas (ONU) no mês de julho. A Coreia do Norte encabeça a lista de países com maior incidência de trabalho escravo moderno, onde em cada mil pessoas, 104 tem seus direitos humanos e trabalhistas violados. 
Em segundo e terceiro lugar estão os países africanos Eritreia e Burundi, respectivamente. Ainda de acordo com o documento, 71% das vítimas são mulheres e 15,4 milhões estavam em casamentos forçados.
Escravidão moderna
Na avaliação de Sofia Vilela, Procuradora do Trabalho, as informações do relatório evidenciam que é preciso ir além do conceito de trabalho escravo historicamente conhecido, onde as pessoas estão literalmente aprisionadas, para entender a realidade da escravidão moderna, em que indivíduos são submetidos a condições de trabalho extremamente degradantes. 
A procuradora aponta que, seja no ambiente doméstico, rural ou em empresas, muitos trabalhadores são obrigados a ultrapassar excessivamente a jornada de trabalho e permanecem em ambientes inseguros, sem água e alimentação. Além do trabalho forçado, o conceito de escravidão moderna também inclui a servidão por dívida e outras práticas semelhantes à escravidão. 
"A situação de exploração que tanto era evidente em um período de escravidão que aconteceu no Brasil e em várias partes do mundo, e que em algumas ainda acontece, vai se transformando", explica Vilela. "Hoje em dia observamos que as formas de exploração dos trabalhadores vão se alterando e consequentemente cabe a sociedade estar vigilante em relação à essa exploração."
A especialista ressalta a importância do Direito do Trabalho na defesa dos direitos dos trabalhadores e complementa que a escravidão moderna é acentuada em locais onde há maior ausência do Estado e o alto numero de casos é fruto de uma desigualdade social extrema.  
"A raiz do problema do trabalho escravo contemporâneo sempre vai ser a desigualdade social. Não são pessoas ricas ou classe média que estão sujeitas a trabalho escravo São pessoas oriundas de classes mais pobres, em regiões menos desenvolvidas, que acabam se sujeitando a situações de exploração por falta de opção, pela falta de uma atuação do Estado que seja eficaz para diminuir essa desigualdade social", enfatiza. 
Brasil escravocrata
De acordo com o Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil, mantido pelo  Ministério Público do Trabalho em cooperação com a Organização Internacional do Trabalho, no período de 2003 a 2017, ocorreram 43.696 resgates de pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão no país. O município de Confresa, localizado no estado do Mato Grosso, é o município brasileiro com maior prevalência de resgates, seguido de Ulianópolis (PA), Brasilândia (MS), Campos dos Goytacazes (RJ) e São Desidério (BA). 
Segundo informações do Ministério do Trabalho, no ano de 2017 foram realizadas 88 operações de fiscalização para erradicação do trabalho escravo, enquanto em 2016 foram 115. Em resposta a demanda da reportagem, Ministério declarou que o plano orçamentário para esse fim teve contingenciamento de 52,2% em 2017. 
Em carta-denúncia, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) afirma que há um contínuo desmantelamento das políticas de combate ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil, ou seja, há uma ação deliberada para impedir a fiscalização de combate ao trabalho escravo moderno. 
Apesar do Ministério do Trabalho afirmar que, para 2018, não houve contingenciamento orçamentário, a entidade acusa que, no período de um ano, pela terceira vez, fiscalizações planejadas do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) são prejudicadas pela falta de recursos e dificuldades operacionais, como a compra de passagens aéreas.
"Sem fiscalização o mundo do trabalho volta à barbárie. Instaura-se um círculo vicioso de precariedade, de pobreza, exploração e falta de condições de consumo, que afeta o sistema produtivo nacional, com impactos nefastos sobre o desenvolvimento social e econômico do país", diz a carta. 
Ana Palmeira Arruda Camargo, diretora do Sinait, reforça que a situação é preocupante. "Nós estamos combatendo uma chaga social que é o trabalho escravo. Se pra esses locais para onde iriam se dirigir às fiscalizações, se houver um grupo em condição do trabalho escravo moderno, eles continuarão nessa situação", lamenta "Existe o compromisso internacional de combater o trabalho escravo e ele não está sendo efetivado. Se a auditoria fiscal existe para fiscalizar e não está fiscalizando, o impacto é que o mundo do trabalho está sendo desmantelado". 
A sindicalista acrescenta que sem as fiscalizações, não há resgates, e portanto, caso comparado com dados dos outros anos, pode ser gerada uma falsa ideia da inexistência do trabalho escravo, quando na verdade, a ausência ou diminuição dos números é fruto da não fiscalização. 
Sofia Vilela também condena a paralisação dos trabalhos de fiscalização. "A partir do momento em que não se prioriza uma atuação no combate ao trabalho escravo por parte do governo, do Estado, do Ministério do Trabalho, e diminui verbas para tanto, acaba-se deixando de lado uma atuação que é essencial, prioritária para minimizar a situação de exploração do trabalho humano". 
A partir de sua atuação no Ministério Público do Trabalho (MPT), a promotora reforça que as operações de fiscalização tem uma repercussão muito grande em lugares isolados e avalia que é necessário se posicionar contra a retirada de direitos. 
"Temos que avançar nas fiscalizações, no orçamento para as forças tarefas, avançar na delimitação de punição para quem faz esse tipo de prática. Avançar na proteção do direito dos trabalhadores, avançar no sentido de um resgate mais acolhedor dessas pessoas oriundas de trabalhos análogos aos de escravos, e não o contrário".  
Retrocesso 
Para o Sinait, a reforma trabalhista do governo Michel Temer (MDB) agrava a situação do trabalho escravo contemporâneo no país.
"O trabalho escravo ainda está presente em atividades econômicas no campo e nas cidades. Com a reforma trabalhista, as situações de trabalho precário poderão, com muita facilidade, se configurar escravidão contemporânea. Há probabilidade de avançar por setores em que ainda não há registros desse tipo de exploração", alerta o sindicato. 
Vilela concorda com o argumento de que a reforma trabalhista de Temer permitiu formas de relação de trabalho muito mais prejudiciais ao trabalhador e representam retrocessos de conquistas históricas. 
"A reforma trabalhista alterou cerca de 200 dispositivos, incluindo parágrafos e artigos da CLT, com uma justificativa de modernização, de desenvolvimento. Mas obviamente o fundo da reforma trabalhista não foi esse. No final, observamos que todos os dispositivos que ali se encontram na verdade servem para favorecer um lado da relação de trabalho, que é o empregador", denuncia. 
Em maio deste ano, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) colocou o Brasil na lista dos 24 casos responsáveis pelas principais violações de suas convenções trabalhistas no mundo.          https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2018/08/combate-ao-trabalho-escravo-sofre-corte-orcamentario-no-brasil-369-mil-sao-afetados

Balaio de Arte e Cultura começa hoje a noite com teatro, orquestra e exposições de arte

Música, teatro e exposições de arte e gastronomia fazem parte da primeira noite de programação.

A partir das 18h, toda a estrutura montada nas praças da avenida Getúlio Vargas estará à disposição do público.
Quase tudo pronto para a abertura do Balaio Arte e Cultura 2018. A partir das 18h, toda a estrutura montada nas praças da avenida Getúlio Vargas estará à disposição do público. Música, teatro e exposições de arte e gastronomia fazem parte da primeira noite de programação.  
Com entrada gratuita e acesso liberado para toda a população, a 8ª edição do Balaio de Arte e Cultura traz como tema – Cidade Esperança. A primeira noite terá dois grandes espetáculos. No palco Teatro – montado na Praça da Catedral – os grupos Akazu e Trupe Retalhos e Remendos apresentarão o espetáculo “Piramo e Tisbe”.
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“O espetáculo é uma releitura de Romeu e Julieta adaptado para Minas Gerais”. A peça marca também o aniversário de 15 anos da Trupe Retalhos e Remendos e de 5 anos do Grupo Akzu. “Imagine Romeu e Julieta vivendo em Minas Gerais”, explicou Rodrigo, diretor do espetáculo. A apresentação está marcada para as 19h30 e é aberta ao público.
Logo em seguida, às 20h30, a Orquestra Filarmônica de Patos de Minas - Filarmonie Escola de Arte - apresenta o espetáculo “Concerto Esperança” no palco da Praça do Fórum.
Além das apresentações nos dois palcos, o Balaio de Arte e Cultura traz a Casa Arte Palavra (na praça do Colégio Normal) exposições artísticas que contam com a participação de diversos artistas plásticos, fotógrafos e artesãos.
Na praça do coreto, os visitantes também podem aproveitar o Encontro Mais Que Gastronomia, que este ano conta com a participação de 08 empresas da cidade. A programação do Balaio 2018 começa hoje e vai até domingo (18). Todas as apresentações são abertas ao público.     https://www.patoshoje.com.br/noticia/balaio-de-arte-e-cultura-comeca-hoje-a-noite-com-teatro-orquestra-e-exposicoes-de-arte-38425.html

O céu é o limite quando se trata do trabalho de Vik Muniz. Com talento e originalidade, o artista plástico desenvolve projetos abstratos, fotografias, esculturas, colagens feitas com materiais não convencionais e imagens que brincam com nosso processo de percepção.
Além disso, ele também mostra que a arte e a moda caminham lado a lado. Em 2010, o brasileiro foi convidado pela Louis Vuitton para uma parceria e assinou a foto escolhida para estampar um lenço da grife francesa.
Nessa sexta-feira (10/8), tive a oportunidade de ir ao Rio de Janeiro para participar de um day experience e conhecer o estúdio do artista. Na ocasião, Vik apresentou obras e contou detalhes de seus últimos processos de criação.
Os trabalhos nos instigam a refletir sobre a arte como um todo. O mais impressionante é a diversidade e quantidade de material que o profissional conseguiu produzir em 30 anos de carreira.
Quer saber mais? Então, vem comigo!

Vik Muniz começou a carreira como escultor e, aos poucos, também se tornou fotógrafo. Atualmente, divide moradia e a vida profissional entre Nova York e o Rio de Janeiro.
O processo criativo do artista é intenso e envolve técnicas de observação e variadas tentativas. “Quando se trabalha com arte, as coisas interessantes vêm de um lugar que não tem algum tipo de expertise, ninguém sabe nada sobre aquilo. Quando você encontra esses locais, eles vão se expandindo”, explica Vik.
“Começo sempre de um lugar desconhecido, no qual não sei o que eu estou fazendo. Tenho uma vaga ideia da direção para onde eu estou querendo ir, e vou ter de criar um local para mim dentro daquilo”, complementa.
CORTESIA DO ARTISTA/ GALERIA NARA ROESLER
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Paisagem, 2012

CORTESIA DO ARTISTA/ GALERIA NARA ROESLER
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Sonora, 2014

Na exposição Handmade (ou Espitemus, como o artista a chama no exterior), que foi apresentada em 2016 e expandida em 2017, Vik explora a fronteira entre realidade e representação, entre o objeto original e sua cópia. Além disso, gera dúvidas nos olhos do espectador.
CORTESIA DO ARTISTA/GALERIA NARA ROESLER
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Mais uma obra da série Handmade: Letter Rack, 2017 – técnica mista sobre impressão inkjet em papel archival

CORTESIA DO ARTISTA/GALERIA NARA ROSLER
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Mais uma da coleção Handmade: técnica mista sobre impressão inkjet em papel archival

ILCA MARIA
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Este quadro é um dos favoritos de Vik Muniz. Ele gosta do poder de ilusão criado, já que alguns quadradinhos são de papel e outros são desenhados direto na tela. Pela percepção, não conseguimos distinguir qual é qual

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Uma das minhas colagens favoritas da coleção Handmade. Em alguns lugares há barbante de verdade, em outros é um desenho. A ideia de percepção é a mesma dos quadradinhos

ILCA MARIA ESTEVÃO
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Colagem da série Handmade

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ILCA MARIA ESTEVÃO

O criador também trabalha com linhas aplicadas e outras desenhadas. Com a sensação de 3D, a ideia é confundir, pois, a olho nu, não é possível distinguir de que forma cada traço foi feito. Tendo isso em mente, a impressora é usada como pincel.
VIK MUNIZ/DIVULGAÇÃO
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Adorei esta obra. O quadro é uma colagem feita sobre uma foto de Berenice Abbott

ILCA MARIA ESTEVÃO
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Reparem que o detalhe da colagem oferece uma percepção de profundidade bastante interessante

A série Colonies, de 2014, foi criada durante sua residência no MIT Media Lab. Em colaboração com o biólogo Tal Danino, ele junta células do fígado e cancerígenas com um carimbo de silicone para criar imagens usando técnicas de microestampa. O trabalho final é resultado de várias fotografias ampliadas das células vistas com microscópio.
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Vik Muniz apresenta a série Colonies

CORTESIA DO ARTISTA /GALERIA NARA ROESLER
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Colonies: Liver Cell Pattern 1, 2014

Atualmente, Vik está trabalhando em uma série que aborda figuras de santos. Para ter inspiração, ficou duas semanas sozinho no Museu do Prado, na Espanha. Fez o mesmo com a obra de Leonardo da Vinci, Mona Lisa, no Louvre.
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ILCA MARIA ESTEVÃO

Mais sobre o artista
As obras de Vik Muniz já foram expostas em renomados museus pelo mundo, como: Museu de Arte Moderna de São Paulo; MoMA em Nova York; Instituto de Artes de Chicago; Museu de Arte Contemporânea em Los Angeles; Museu Victoria & Albert, em Londres; entre outros.
Além da paixão pela arte, Vik está envolvido em projetos sociais. Em 2010, ele desenvolveu o documentário Waste Land, que mostra o trabalho do artista com catadores de lixo no Brasil. O filme foi indicado ao Oscar e ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Sundance. Em 2011, Vik Muniz foi nomeado como embaixador da Unesco.

A visita foi promovida pela Galeria Nara Roesler, em parceria com a Amsterdam Sauer, que também proporcionou uma ida ao museu da joalheria. O convite foi de Susan Neves, Nathalia Abi-Ackel e Gabriela Constantino.
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ILCA MARIA ESTEVÃO

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* Créditos das imagens usadas no GIF: cortesia de Vik Muniz/Galeria Nara Roesler
https://www.metropoles.com/colunas-blogs/ilca-maria-estevao/saiba-quais-sao-os-novos-projetos-do-artista-plastico-vik-muniz

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