quinta-feira, 26 de abril de 2018

Mulheres na liderança: a feminização da carreira jurídica

Referência:http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI279010,71043-Mulheres+na+lideranca+a+feminizacao+da+carreira+juridica


O Brasil ainda é um país que está longe de ter mulheres em posição de liderança. É o que mostra o último levantamento do IBGE, em que apenas 37,8% dos cargos de chefia no Brasil são ocupados por mulheres. A direção é para poucas. 
Na carreira jurídica o cenário não é muito diferente, muito em virtude da própria história da advocacia e da magistratura em que foram os homens que iniciaram e dominaram essas profissões.
Mas o quadro tem mudado. A ascensão das mulheres na carreira jurídica tem feito a sociedade repensar que o lugar delas também é nos tribunais, nos escritórios, nas audiências e onde mais quiserem.
A mudança do cenário masculinizado se mostra em números: dados da OAB revelam que quase metade dos advogados do país são mulheres. Já com relação à magistratura, o número é menor, pois elas representam 37,3% dos magistrados em atividade em todo o país, conforme aponta pesquisa do CNJ.
"Quando se diz respeito às mulheres na carreira jurídica, tudo tem de ser conquistado e batalhado", é o que Rita Cortez, 1ª vice presidente do IAB -Instituto dos Advogados Brasileiros e 2ª mulher a ocupar a presidência do instituto, afirmou em entrevista à Tv Migalhas.
Assista ao vídeo e confira o que a advogada tem a dizer sobre o tema:
Quando o assunto é a magistratura, os desafios não diminuem. A juíza titular da 1ª vara Criminal de Brasília, Ana Cláudia Loiola de Morais Mendes, elencou inúmeros deles: desde a conciliação da vida pessoal, enquanto mãe e esposa, com a profissional, em que a presença feminina nas salas de audiência muitas vezes é minoria.
Para a juíza, atuar em uma profissão historicamente masculina é um desafio diário. Ela cita como exemplo as inúmeras vezes em que, nas audiências, os homens interrompem as mulheres durante as respectivas falas.
"Por diversas vezes tive que suspender a gravação para esclarecer o quão importante era termos educação para respeitar o momento de fala de cada um. Mas ficou perceptível o hábito de interromper o discurso e fazer valer à vontade sobre o interlocutor, muito comum quando vemos uma discussão entre homens e mulheres, em que os primeiros acabam ganhando no grito."
Ana Cláudia também comentou sobre o machismo institucional, que pode permear, inclusive, as decisões proferidas pelos magistrados. A juíza exemplificou que uma vítima de abuso sexual pode ser considerada de uma forma se estiver diante de uma julgadora, ou de outra, diante de um julgador, que tenha padrões de conduta norteados por uma ideologia mais conservadora, ou mesmo machista.
Confira a íntegra da entrevista com a magistrada.
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Quais são os desafios que uma mulher juíza enfrenta na sua rotina de trabalho?
A mulher, já de início, enfrenta desafios diferentes do homem, na rotina de trabalho. Na magistratura, como em outras tantas profissões, essa diferença também existe. No meu caso particular, a dificuldade iniciava em conciliar a rotina de mãe, dona de casa e esposa com o árduo exercício da magistratura. Não raro levamos trabalho para casa, que acaba se acumulando com as diversas funções que desempenhamos... Para se ter um exemplo, quando eu fui promovida, titularizei em Planaltina, que estava com um volume muito grande de processos acumulados. Mesmo em licença-maternidade, e claro, contando com valioso apoio de um colega substituto durante minha licença, não deixei de decidir e despachar centenas de processos.

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