Em março, foi descoberto que instituição paulistana mantinha oito obras roubadas da BN
RIO — Após a descoberta, em março, de que oito litogravuras de Emil Bauch (1823-1874) que estavam no acervo do Itaú Cultural desde 2005 eram as mesmas que tinham sido furtadas da Biblioteca Nacional no ano anterior, a instituição carioca recebeu nesta sexta-feira a primeira remessa de mais obras enviadas pelo centro cultural paulistano, para também serem periciadas.
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O envio de 37 gravuras do século XIX, entre elas obras do alemão Franz Heinrich Carls e do suíço Luis Schlappriz, incluindo itens avulsos ou em álbuns, faz parte do acordo firmado entre as duas instituições para a certificação de que as obras possam ou não pertencer ao acervo da Biblioteca Nacional. Após a análise do lote pela equipe técnica da BN, o Itaú Cultural deve mandar mais duas remessas com obras para serem periciadas. Um prazo de 30 dias foi estipulado inicialmente para a conclusão dos trabalhos, mas que pode ser estendido diante da complexidade das análises.
— Só teremos contato com as obras na semana que vem, a partir daí poderemos fazer uma avaliação mais precisa do tempo necessário para conclusão das análises. É um conjunto maior de itens, de origens diferentes, o que pode demandar mais tempo. As técnicas utilizadas também serão definidas caso a caso, as obras é que definirão os procedimentos — comenta Joaquim Marçal, perito judicial e pesquisador da Divisão de Iconografia da Biblioteca Nacional, que coordena o grupo multidisciplinar que vai periciar as obras.
O conjunto enviado pelo Itaú Cultural foi reunido a partir de uma lista feita pela BN, comparando obras que foram roubadas em 2004 com outras presentes em documentos públicos, como o livro com o inventário completo da "Brasiliana Itaú" (organizado por Pedro Corrêa do Lago, presidente da BN entre 2003 e 2005) e o portal "Brasiliana Iconográfica".
— O Itaú Cultural tem colaborado desde o início, abrindo seu acervo para que a gente verifique se há outras obras que possam ter saído da BN. Este movimento acabou estimulando outras instituições a também se precaverem, o Instituto Moreira Salles também fez um levantamento em suas coleções de fotos recentemente — observa Marçal. — Tudo é feito a partir da troca e colaboração entre as instituições, o que nos dá grande esperança de recuperarmos parte do que foi roubado da biblioteca.
Em março deste ano, Biblioteca Nacional e Itaú Cultural firmaram um acordo de cooperação após cartas enviadas por Laéssio Rodrigues de Oliveira — ladrão confesso de obras iconográficas da Biblioteca Nacional (atualmente preso na penitenciária Milton Dias Moreira, em Japeri, Baixada Fluminense) — apontarem que o destino das gravuras de Bauch foi a instituição paulistana. Após a confirmação de que eram do volume “Souvenirs de Pernambuco” (1852) pertencente à BN, as pranchas foram devolvidas à instituição carioca. As obras foram compradas pelo Itaú Cultural do colecionador Ruy Souza e Silva (ex-marido de Neca Setúbal, herdeira do Itaú), que afirma não tê-las adquirido de Laéssio, e sim da tradicional loja londrina Maggs Bros.
Publicação para artes
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