sábado, 5 de maio de 2018

o crescimento e a popularização da musica amazônica

Desde sempre tenho um carinho todo especial pela música amazônica. Encantam-me a diversidade sonora e os versos de seus poetas. Fascinam-me o talento e a grandeza que têm. Atributos que, em parte, vêm da retumbância dos rios e da grandiloquência da floresta. 
Desde o início desta coluna, passei a ter acesso a CDs que me deixaram ainda mais fascinado pela música amazônica. Saúdo nela alguns dos responsáveis pela oxigenação dessa música. Louvo-os porque os conheço a partir de seus discos que comentei, a exemplo dos textos “O canto amazônico de Simone Almeida” (2007); “Juliele é mais uma boa cantora que chega abençoada pela Amazônia” (2008); “A força da música amazônica” (2010), sobre o CD de Enrico Di Miceli e Joãozinho Gomes; “Paisagem musical brasileira” (2013), sobre o álbum em que o pianista Gilson Peranzzetta e o saxofonista Mauro Senise uniram-se para participar do 7º Festival Amazonas Jazz, tocando com a Amazonas Band; “O talento amazônico de Patrícia Bastos” (2010); “Deixe-se provocar por Lia Sophia” (2018); e, por fim, “A música de duas feras” (2018), sobre o CD de Marcelo Sirotheau e Jorge Andrade. 
Hoje temos outra cantora amazônica: a paraense Natália Matos, que lançou o CD “Não sei fazer canção de amor” (patrocínio do Banco da Amazônia). Com direção artística de Carlos Eduardo Miranda, o álbum revela um momento de descoberta existencial da mulher criadora. Logo se vê que o repertório não contempla nenhum dos tradicionais gêneros musicais amazônicos. Em busca de uma sonoridade mais pop, Natália entregou-se à missão de redescobrir-se com apoio da produção musical de Léo Chermont, ele que também fez as programações. Programações nunca previsíveis; ao contrário, sempre consistentes. 
Com capa de Alexsandro Souza, belamente ilustrada por Layse Pimentel, “Não sei fazer canção de amor” tem altas doses de sabedoria musical e um repertório que Natália canta afi nada e com a manha de quem sente que o objetivo ansiado está logo ali. De cara, “Vamos embora” (Natália e Jam da Silva) deixa antever que Natália busca sua individualidade. 
“A Cura” (NM e Ana Clara) e “Cama grande” (NM) findam por desmentir o título do CD. Na primeira, Natália imprime na voz um tom romântico, cuja guitarra (Léo Chermont) amplia; na segunda, o baixo (Príamo Brandão) adensa o clima poético. “Nós” (Malu Guedelha e NM) e “Domingo” (NM) trazem o clima para a simplicidade de um som com levada cadenciada. “Roseado” (Antônio Novaes) patenteia o uso das programações. Natália dobra a voz. O pop reina.
Ao ouvir “Não sei fazer canção de amor” (NM), posso afirmar: “Sabe, sim, Natália! Pois uma atmosfera apaixonante reina pop em seu horizonte”. “Sol” (NM) é a melhor música do disco. Apoiada pelo piano (João Leão), a batera (Arthur Kunz) traz o ritmo. “Dá e Passa” (NM) e “A lágrima” (NM e Renato Torres) começam de levinho, mas logo pegam no breu e sobem, (e)levando junto o som pop de Natália Matos. Salve os fazedores da música amazônica!
fonte:http://www.jb.com.br/artigo/noticias/2018/05/05/a-multiplicidade-da-musica-amazonica/
postagem para artes 

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