A moda enxerga o corpo feminino como uma entidade maleável, algo a ser moldado de acordo com as convenções dos complexos códigos sociais ou os caprichos fugazes da indústria fashion.
Prova disso é uma exposição em cartaz no Instituto de Tecnologia da Moda (FIT na sigla em inglês), em Nova York, que analisa a mudança da silhueta da mulher ao longo do tempo – do século 18 até os dias de hoje.
Ela mostra que o padrão de beleza sempre foi uma construção cultural – algo que precisa ser desafiado se a ideia é promover uma maior aceitação do corpo feminino, valorizando a diversidade.
No século 18, a noção do "corpo ideal" era uma preocupação principalmente das camadas mais altas da sociedade.
O uso de espartilhos era considerado essencial na época. Mas, como observa Emma McClendon, curadora da exposição, o objetivo não era simplesmente afinar a silhueta.
Segundo ela, o uso generalizado da peça era "muito mais complexo e relacionado a noções culturais de propriedade, classe e aspecto físico da mulher".
Usar o acessório apertado sobre o corpo ajudava a manter a postura reta. E caminhar com elegância, enquanto usava um traje tão desconfortável, era um sinal de status.
"Havia também uma crença dominante na época de que os corpos das mulheres eram inerentemente fracos e precisavam de apoio", explica McClendon.
Essas ideias foram questionadas por alguns dos principais escritores e pensadores da época, com Jean-Jacques Rousseau, um dos principais filósofos do Iluminismo. Para ele, o espartilho era uma metáfora particularmente adequada para as instituições sociais que reprimem o indivíduo – mas sua tese teve pouca repercussão.
Pressão para se adequar
A partir de 1870, a chegada do bustle (ou anquinha), armação que deixava a parte de trás da saia mais acentuada, coincidiu com uma era em que a moda se tornava progressivamente mais democrática.
Com os avanços técnicos e a proliferação das lojas de departamento, mulheres de classes sociais distintas passaram a comprar estilos de roupa semelhantes, criando assim uma certa padronização da silhueta ideal e uma pressão para se adequar em todas as camadas da sociedade.
Abraçando a diversidade
Embora o tipo físico esbelto ainda dominasse grande parte da indústria fashion no início do século 21, a ascensão das mídias sociais começou a mudar gradualmente a forma como as pessoas consomem e interagem com a moda. Blogs de estilo e plataformas digitais, como Instagram e Twitter, abriram as portas do mundo da moda para uma parcela cada vez maior de pessoas.
Determinadas marcas adotaram com entusiasmo uma visão mais inclusiva do corpo. A estilista americana Becca McCharen-Tran, da Chromat, tem dado um show de diversidade nas passarelas, apresentando modelos de diferentes raças, medidas e identidade de gêneros.
Christian Siriano, por exemplo, inclui modelos plus-size em seus desfiles e faz roupas até o tamanho 26. Quando a atriz Leslie Jones reclamou no Twitter que nenhum designer queria vesti-la para a estreia de um filme devido ao seu tamanho, o estilista disse que se orgulharia de fazer isso e criou um vestido vermelho incrível para ela.
Atualidades
Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-43312132
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