Máscaras da dupla de música eletrônica Daft Punk, do rosto de Salvador Dalí, popular por causa da série 'La Casa de Papel', e da cantora Björk (Lucas Villela (Daft Punk e Björk), Paula Sperb (La Casa de Papel)/Divulgação)
O uso de máscaras em manifestações públicas ou protestos é proibido em diversos países. “Isso mostra o poder que a máscara tem”, disse Marcello Dantas, curador da exposição Etnos: Faces da Diversidade, nova mostra do Santander Cultural, durante apresentação das obras na manhã desta segunda-feira, 13, em Porto Alegre. A exposição abre ao público na quarta-feira, 15, com visitação gratuita.
A mostra reúne máscaras de tribos africanas e indígenas, do folclore mexicano, do candomblé brasileiro e de ícones pop. Entre uma máscara artesanal e outra, há a popular máscara com o rosto do pintor Salvador Dalí, que virou fenômeno mundial por causa da série espanhola La Casa de Papel. Uma das máscaras usadas pela dupla Daft Punk, de música eletrônica, e uma máscara de Medusa usada pela cantora islandesa Björk também são atrações (veja fotos abaixo).
Chamada Moo Gums pelo artista canadense Beau Dick, esta máscara representa o Crooked Beak (“bico torto”), um pássaro monstruoso e devorador de humanos
Chamada Moo Gums pelo artista canadense Beau Dick, esta máscara representa o Crooked Beak (“bico torto”), um pássaro monstruoso e devorador de humanos (Galeria Fazakas/Divulgação)
Dantas pesquisou durante um ano para encontrar as 173 máscaras da mostra, que vieram de diferentes acervos, como Museo Rafael Coronel, de Zaratecas, no México, coleções individuais, Museu do Índio e Memorial da América Latina.
https://veja.abril.com.br/blog/rio-grande-do-sul/mascaras-de-la-casa-de-papel-daft-punk-e-bjork-compoem-exposicao/https://veja.abril.com.br/blog/rio-grande-do-sul/mascaras-de-la-casa-de-papel-daft-punk-e-bjork-compoem-exposicao/
"A gente olha para todas as coisas que, de alguma forma, utilizam a máscara como elemento empoderador. Isso é muito forte. É uma das questões-chave. A máscara tem uma capacidade de nos permitir fazer coisas que, sem ela, nós não somos capazes de fazer, para o bem e para o mal”, explicou o curador.
"A gente olha para todas as coisas que, de alguma forma, utilizam a máscara como elemento empoderador. Isso é muito forte. É uma das questões-chave. A máscara tem uma capacidade de nos permitir fazer coisas que, sem ela, nós não somos capazes de fazer, para o bem e para o mal”, explicou o curador.
Máscara do povo Dan, da Costa do Marfim, que usa os adornos como intermediário entre o mundo natural e o sobrenatural
Máscara do povo Dan, da Costa do Marfim, que usa os adornos como intermediário entre o mundo natural e o sobrenatural (Coleção particular/Divulgação)
Segundo Clau Duarte, superintendente de comunicação externa do Santander, a mostra não contará com reforço na segurança por causa do episódio do fechamento da exposição Queermuseu, em setembro do ano passado. Após ataques de grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL), que alegavam equivocadamente que a mostra fazia apologia à pedofilia, o Santander decidiu encerrá-la antes do previsto. Nos bastidores, o banco alegou que fechou a exposição por uma questão de segurança dos funcionários, tanto do centro cultural quanto das agências bancárias que também foram atacadas.
Sujeito mascarado, do português Miguel Moreira e Silva
Sujeito mascarado, do português Miguel Moreira e Silva (Alexandra Dias/Divulgação)
A exposição Etnos faz parte do acordo com o Ministério Público Federal (MPF) em que o Santander se comprometeu a realizar duas novas exposições sobre diversidade e diferença. Na época do acordo, o curador da ‘Queermuseu’, Gaudêncio Fidelis, criticou o acordo porque considerou que determinar os temas antes é “censura prévia”. A VEJA, o procurador Enrico Rodrigues de Freitas defendeu o acordo. Mesmo sendo parte do acordo, a proposta da exposição foi elaborada por Dantas antes dos ataques sofridos pela ‘Queermuseu’.
“A mobilização dizia respeito a dar visibilidade política a causas totalmente exógenas à exposição. Ela foi uma plataforma de ataque, não só ao ‘Queermuseu’. Alguns grupos brasileiros decidiram usar a cultura como um alvo, porque era um alvo de alta visibilidade”, opinou Dantas sobre os ataques a exposições de arte e peças de teatro.

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