Performance com artista nu que gerou
polêmica em SP é apresentada em Paris
Wagner
Schwartz, um dos convidados do festival internacional "Do disturb",
se apresentou nos três dias no evento
10/04/2018
Para quem não conhece Wagner Schwartz, vai se
lembrar da polêmica que o artista protagonizou, em setembro do ano
passado, no Museu de Arte Moderna de São Paulo(MAM). Na ocasião, o coreógrafo se posicionava nu sobre
um tatame, manipulando um origami de papel, de forma a sugerir a interação. Em
fotos de divulgação, participantes o abraçavam, o mudavam de posição e grande
parte o filmava. Tratava-se de uma leitura interpretativa da obra Bicho,
de Lygia Clark, segundo o MAM.
A performance La Bête foi encenada
novamente, mas dessa vez no Palais de Tokyo, em Paris. O artista foi um dos
convidados do festival internacional Do disturb (Perturbe,
numa tradução direta) — Schwartz se apresentou nos três dias do evento.
A imagem que rodou as redes sociais e foi
responsável pela grande polêmica aqui no Brasil, entretanto, foi a de uma
criança que parecia mostrar curiosidade enquanto engatinhava pelo tatame, vendo
uma mulher adulta tocar os pés do artista. A mulher incentivava a pequena a
participar, a menina ria, tocava rapidamente os dedos dos pés dele e voltava à
plateia diante de sorrisos do público. Isso foi o bastante para Wagner ser
acusado de pedofilia e, inclusive, precisar prestar depoimento na 4ª Delegacia
de Polícia de Repressão à Pedofilia.
O que antes foi motivo de reações incendiárias,
agora, transformou-se em um importante capítulo da história de sobrevivência
pessoal e artística de Schwartz. Na época, o coreógrafo foi linchado
virtualmente, chegando a receber ameaças de morte pela apresentação.
Desta vez, foi o momento de redenção do artista, que pôde apresentar sua
obra sem interpretações enviesadas. Segundo o jornal O Globo, em um dos dias de performance, havia uma criança acompanhada dos pais
na plateia do Palais de Tokyo, que participou do La Bêtesem maiores
polêmicas, imitando no chão a coreografia formada pelo corpo do artista nas
manipulações.
Postagem feita por: Luísa Antunes Resende
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